“Escola é condenada por bullying”

Posted by MudaMundo on Saturday Apr 2, 2011 Under Bullying

Este é o título de uma matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, de hoje.

A matéria conta que o Colégio Nossa Senhora da Piedade, na cidade do Rio de Janeiro, foi condenado a pagar R$ 35.ooo,oo de indenização à família de uma aluna, que aos 07 anos de idade, sofreu agressões físicas e psicólogicas no ambiente escolar. Já adolescente (15 anos), a menina receberá R$ 15.000,00 e a família, outros R$ 20.000,00.

O caso aconteceu no ano de 2003. A menina J., então com 07 anos, juntamente com outros colegas, começaram a sofrer bullying por parte de dois colegas de classe. J. teve um lápis espetado na cabeça e arrastado, o que lhe provocou arranhões; foi amarrada, agredida com chutes e pontapés e ainda vítima de xingamentos e palavrões. A menina passou a ter medo de ir à escola, sofreu de “terror noturno” e desenvolveu fobias. Foi submetida ao acompanhamento de neuropediatra e psicólogo.

A mãe de J. declarou que durante todo o ano de 2003 tentou solucionar a questão junto à direção da escola. Contudo, nenhuma providência efetiva foi tomada: “(…) No caso, diziam para minha filha fingir que o agressor não existia” .

A defesa da escola foi pautada na falta da relação causal entre os danos psicológicos da aluna e as agressões. Também afirmou que a escola tomou as medidas cabíveis ao caso, na ocasião: ofertou atendimento psicológico aos agressores e chamou os pais para conversar. Contudo, não entendeu ser necessário o afastamento dos alunos.

A 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entendeu que foi configurado o dano moral e de responsabilidade da escola, tendo em vista ser o seu dever manter a integridade física e moral dos alunos, na ausência dos pais. Os desembargadores negaram por unanimidade o recurso da escola. ” (…) os fatos relatados e provados fogem da normalidade e não podem ser tratados como desentendimentos entre alunos (…)” escreveu o desembargador Ademir Paulo Pimentel, relator do processo.

Que este caso sirva de exemplo e alerta às instituições de ensino sobre a importância de soluções efetivas para os casos de bullying escolar.

Fontes: O Estado de São Paulo de 02/04/2011 e http://www.conjur.com.br/2011-abr-01/escola-indenizar-crianca-sofreu-bullying-35-mil

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CASO HEYNES: o Bullying, a Escola e a Mídia

Posted by MudaMundo on Tuesday Mar 29, 2011 Under Bullying

Não é novidade para muitos o frenesi causado pelo vídeo do garoto australiano Casey Heynes, de 16 anos, que revidou uma (de várias outras) agressão física de um colega na escola. O vídeo foi postado no YOU TUBE e transformou Casey Heynes em um herói, pois esta foi sua primeira reação após anos de sofrimento, como vítima de bullying (ameaça, intimidação).

Ainda que em legítima defesa, Casey foi capaz de um golpe de extrema violência. Tal golpe suscitou sua alusão a um personagem do jogo de vídeo game “Street Fighter”.  O sucesso foi tão grande que já existe um “game” que satiriza o acontecimento e o garoto foi amplamente aplaudido e elogiado por muitos, na mídia virtual.

A repercussão do vídeo na internet levou Casey à televisão: ele foi convidado a dar uma entrevista para um programa. Entrevista com o Casey Heynes, o Zangief Kid

Na sequência dos fatos, a mesma emissora de televisão também entrevista o garoto Richard Gale, o agressor de Casey ,de 12 anos. Ele alega ter sido vítima de Casey, não expressa arrependimento, mas se mostra confuso e frágil em vários momentos da entrevista. Entrevista Richard Gale

Nas duas entrevistas, é nítida a fragilidade e o desamparo dos garotos e de suas famílias, no que se refere ao ocorrido.

O que mais nos instigou a escrever sobre esta polêmica não é a discussão do bullying propriamente dito, mas sim, a reflexão necessária sobre falta de proteção social destes dois adolescentes.

Não conseguimos localizar na internet qualquer posicionamento da escola sobre o acontecimento e, por conseqüência, não sabemos se e quais providências foram tomadas em relação aos alunos.

É interessante observar que por um golpe de sorte, o garoto Richard não se machucou seriamente, o que poderia ter feito toda a diferença para a história de Casey. O golpe aplicado por Casey poderia ter sido fatal ou mesmo ter ferido gravemente o franzino Richard. Se assim o fosse, Casey teria sido responsabilizado judicialmente. De herói passaria a vilão com extrema facilidade.

Diante da violência (de ambos os garotos) claramente expressa no vídeo e de outras sérias conseqüências que poderiam ter acontecido, o que a escola fez e o que deve fazer diante da grave situação?

Como se este questionamento à posição da escola não bastasse, a situação cai no domínio público na internet. Se o vídeo foi feito pelas câmeras internas da escola (será que foi?), quem o postou no YOU TUBE, então?

Por fim, a repercussão do vídeo no YOU TUBE foi tanta a ponto da televisão australiana se interessar em entrevistar os garotos… A pergunta que não quer calar: com que propósito exatamente? Ainda que nenhuma das entrevistas possa ser considerada nociva, há que se pensar qual o propósito de expor ao país inteiro (e ao mundo, via internet) a vivência pessoal e a história de vida de cada um deles (ainda adolescentes, em processo de desenvolvimento) e de suas famílias.

Na verdade, o que se pode hipotetizar é que a falta de intervenção educativa e, possivelmente, de sigilo ético por parte da escola propiciou a ampla divulgação de um (entre milhões) caso específico de bullying. Dois adolescentes frágeis emocionalmente ficam expostos ao mundo, de maneira bem maniqueísta: o bom/herói de um lado e o mau/vilão do outro, para que todos opinem sobre quem parece estar com a razão.

O caso ilustra como crianças e adolescentes são de fato vulneráveis às violações de seus direitos humanos não apenas no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo. Do ponto de vista da proteção dos direitos, que este caso nos leve a questionar o papel e as possibilidades de prevenção e intervenção da escola e da família no que se refere ao bullying e ainda a refletir sobre as possíveis conseqüências da exploração de situações que envolvem crianças e adolescentes pelas diversas mídias.

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